No processo de formação histórica da Cidade de Natal a construção do seu espaço físico foi sofrendo interferências de tendências européias e de um processo de mimetização da cultura norte-americana, que são reflexos locais de acontecimentos em escalas nacionais e mundiais. O projeto Memória e Patrimônio da Euroamerica de Natal: da Ribeira a Cidade Alta (1930-1964) tem como objetivo socializar este saber universitário.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
DA ASSEPSIA À QUARENTENA: O BECO, A VIDA NOTURNA PEQUENAS DOSES DE ESQUECIMENTO (1890 A DÉCADA DE 1940)
Raimundo Hélio da Silva*
UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
raimundo.helio@bol.com.br
_________________________
*Graduando em História Licenciatura Plena, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Área de interesse: História, Memória, Patrimônio e História Cultural. Participa como instrutor do Projeto de Extensão - Memória e Patrimônio da Euroamérica: da Ribeira a Cidade Alta (1930-1964), em andamento 2011-2013, sob coordenação e orientação do Prof. Dr. Roberto Airon Silva.
RESUMO: A Ribeira surgiu na primeira metade do século XIX por volta de 1810 se consolidando por volta de 1850 , como local de concentração econômica-administrativa e o berço dos grandes nomes da política e erudição da cidade, a Ribeira onde localizava a Alfândega na rua do mesmo nome, depois Rua do Comércio ( atual Rua Chile), a Ribeira da Estação Férrea que transportava o algodão e o sal posteriormente, a Ribeira do Porto, mas principalmente a Ribeirados prazeres, noturnos, dos becos, esquinas e vários meretrícios um comércio não oficial dentro do comércio legítimo e elitizado, um mundo dentro de outro mundo, um pedaço dentro de outro pedaço, que necessitava ser purificado, higienizado, ou seja, passar por um processo de assepsia da” Velha Ribeira”, não só do espaço geográfico e físico, mas também humano.
Palavras-chave: Bairro da Ribeira e Cidade Alta, assepsia, Natal moderna, teoria do miasma
.
Abstract: The Ribeira came in the first half of the nineteenth century around 1810 consolidating around 1850, as a place of economic and administrative concentration and the cradle of the great names of politics and scholarship of the city, the Ribeira where Customs located in the street of the same name, then Street commerce (now Chile Street), Ribeira da Railway Station carrying cotton and salt later, Ribeira of Harbor , but mostly Ribeira of pleasures of the alleys, night, street corners and various meretrícios an unofficial trade in legitimate trade and elite , a world within a world, a piece inside another piece that needed to be cleansed, sanitized, or go through a process of sterilization of the "Old Ribeira", not only the physical, geographical space, but also human.
Keywords: Ribeira neighborhood and Uptown, asepsis, Natal modern, the miasma theory.
INTRODUÇÃO
A velha Ribeira palco de lembranças e prazeres. Desde o século XIX, este espaço (Ribeira: Rua do Comércio – Nata/RN) concentrava a administração da província, o comércio e órgãos bancários, o dito comércio oficial, funcionava normalmente do alvorecer ao crepúsculo, o movimento no Cais da Av. Tavares de Lira, era intenso com a chegada e a saída de mercadorias. Por volta de 1896 surgem novas ideias cientificistas “[...] Com as primeiras águas do inverno e a temperatura elevada de trinta graus, facilita-se a fermentação e dá-se a cultura do miasma...”. , higienizar para purificar os ambientes se fazia necessário, prática recorrente no mundo durante o século XIX e em Natal não era diferente. Seguindo o modelo da capital na época, Rio de Janeiro, cujo lema era modernizar para a eternidade.
Natal: uma cidade “Moderna”?
Aos poucos os barracos, as casas de taipa, que havia próximo a estes centros foram substituídos por casas mais sofisticadas, as de um andar deram lugar aos sobradinhos de dois andares rodeados de varandas, muitos com suas estruturas importadas da Europa (exemplo os solares da Rua Junqueira Aires, atual Câmara Cascudo).
Mas, que modernização era essa? O moderno era plantado sobre o antigo, pois o “antigo” era provinciano a base que alicerçava o moderno, o novo, o eurocêntrico. Sempre a Europa! O Velho Mundo eternamente atual, tal como na capital como o prefeito Pereira Passos. O caso de Natal, [...] o controle da higiene e da saúde públicas, verificou-se, no período em estudo, a intervenção direta em duas áreas específicas da cidade (Ribeira e Baldo).
Ribeira: palco de comércio e prazeres
No início do século XX, um elemento significativo sem dúvida foi o evento da energia elétrica (1911-1940) que chegou para encurtar a distância com o bonde (1919) que facilitava a ligação da Cidade Alta (bairro de mesmo nome) com a Ribeira (cidade baixa). A Rua do Comércio (atual Chile) adormecia ao fim do comércio diurno e acordava para o comércio noturno, o movimento dos cabarés, bares e becos começavam por volta das 21h, estes locais eram frequentados pela elite econômica que procuravam afastar a insônia bebendo, jogando, fumando ou dançando com as prostitutas locais que ofereciam seus serviços.
Estes comerciantes deixavam suas mulheres em casa e se embreavam nas ruas mal iluminadas a procura de prazeres negados pelo “puritanismo” de suas esposas que se fechavam nos lares, conscientes e coniventes destas práticas. Homens conquistadores, insanos, cegos pela fortuna que lhe trazia Hermes e tocados pelo mau amor de Vênus, ao retornarem, compartilhavam com elas.
Nos anos 1940, eclode um grande conflito “A Segunda Guerra Mundial”, e a cidade de Natal passa por um processo de “inchaço” populacional pelo aumento humano dos migrantes do sertão em busca de sobrevivência, fugidos da seca que assolava desde século XIX, oferecendo sua força de trabalho por qualquer trocado, o problema, é mais uma vez a ocupação das áreas periféricas da cidade usadas como moradia e dormitório.
Esses olhos se voltavam para a capital e para os estrangeiros que aqui desembarcavam cheios de dólares americanos que compravam tudo o que estivesse à venda, bastavam abrirem a carteira, inclusive no comércio de carne humana que era crescente , essas moças não aceitavam mais beber aguardente ou cerveja, mas, uísque e cuba-livre, substituíam o tango e maxixe pelo blues e o foxtrote à meia luz vermelha incandescente que ofuscava as chamas das velas sobre as mesas. Mas, no meio deste “comércio” quem sabe, deve haver amor, ternura. Pois, como disse Xica Pirrita “Rapariga também é fi de Deus”
Natal de festa e limpeza humana: da Quarentena à Zona
A seleção asséptica nesse momento tinha em vista um público mais exigente e cuidados eram necessários. Os estrangeiros que aqui desembarcavam durante a década de 1940 necessitavam se divertirem nas horas vagas, mas com os devidos cuidados e higiene da “carne humana” que consumiam.
[...]o cuidado em “Higienizar” as prostitutas. Estas tinham que passa por tratamento médico e apresentar seus cartões de identificação, apelidado ironicamente de “passaporte do amor”, que eram emitidos pelo posto de saúde do comando da base, para só assim poderem manter relações sexuais com os clientes estrangeiros.
Essa concorrência de certo modo era desleal, favorecia um número menor e excluía um número bem mais elevado de trabalhadoras do sexo, cujo que restava era os becos insalubres.
Como principal defeito, e desde também tempos mais remotos, como até hoje, teve a Ribeira a pouca sorte de ser a Capital Federal da prostituição profissional. Ali o meretrício era franco e escandaloso e até funcionando perto das casas de família. Na Ribeira sempre existiram pensões alegres ricas e bem servidas, como outras mais modestas. Da boate mais granfina até o sórdido, imortal e já tristemente célebre Beco da Quarentena. Para a Ribeira desciam os frequentadores do amor pago e lá encontravam os embarcadiços nacionais e estrangeiros. [...]
Com o final da guerra a Velha Ribeira entrou em decadência a partir da saída dos americanos que levaram tudo o que trouxeram, desde alimentos em conserva e enlatados até os corpos e restos mortais de seus companheiros de combate que estavam sepultados em terras Potiguares, o que lembra que eles não vieram para se fixar, mas, para combater na terra Potiguar, daí por diante a decadência foi crescente até os anos 1960-1970 quando os bancos e principais pontos comerciais se estabeleceram na parte mais elevada da cidade, o bairro da Cidade Alta, restando a Ribeira a seguir em seu legado o local que concentra um número elevado de meretrícios, não tão ativos nos dias de hoje.
Considerações finais
Atualmente a Ribeira sobrevive nos arredores do Cais da Tavares de Lira, Cais do Porto e de eventuais momentos de Cultura na Rua Chile (Casas de Ribeira e Bares) e proximidades da Praça Pedro Velho com eventos culturais e o Museu da Cultura Popular que ainda buscam um resquício de ar debaixo desse esquecimento local. Mas, e o Beco da Quarentena? Esse continua perdido e esquecido entre as Ruas Frei Miguelinho e Chile o que o enquadra não como um beco, mas como uma travessa que liga dois pontos de prostituição diária entre mercados de peixes e anônimos que se embriagam para esquecerem e serem esquecidos, o que é bem fácil de acontecer, semelhante ao beco que lá continua repleto de sujeira e habitantes invisíveis aos olhos do descaso, sempre a espera de alguém passar para solicitar um trocado, um cigarro, um eventual bater de carteira ou um sexo rápido, são os anônimo(a)s que se camuflam tal camaleões, por isso, são invisíveis diante das paredes em quarentena do eterno Beco, a espera de outro “Santo”, não eleito pela fé mas pela vontade política popular.
SILVA, R.H.
REFERÊNCIAS
CASCUDO, Luís da Câmara. Crônicas de Origem: a Cidade de Natal Nas Crônicas Cascudianas dos anos 20. (Org.) Raimundo Arrais. Natal/RN: EDUFRN. 2011 p.139
LIMA, Pedro. A QUESTÃO SANITÁRIA E O DISCIPLINAMENTO DE NATAL: 1850-1935. Disponível em: http://www.anpur.org.br/revista/rbeur/index.php/shcu/article/view/716/691. Versão Online. p. 4. Acesso em: 16 de dez. de 2013
ONOFRE JÚNIO, Manuel. Breviário da cidade de Natal. 2ed. Natal: Clima, 1984.p.95.
PEDREIRA, Flávia de Sá. Chiclete eu misturo com banana: carnaval e cotidiano de guerra em Natal. Natal: EDUFRN - Editora da UFRN. 2005.p. 262.
PINTO, Lauro. Natal que eu vi. Natal: Imprensa Universitária, 1971.p.30-31
SOUZA, Daline Maria de. DA PEDRA DO ROSÁRIO AO PANTANAL: ESPAÇO E URBANIZAÇÃO DO PASSO DA PÁTRIA (NATAL-RN). Versão Online. Disponível em: ftp://ftp.ufrn.br/pub/biblioteca/ext/bdtd/DalineMS.pdf Acesso em: 20 de dez. de 2013
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
QUEM SOU EU?
QUEM SOU EU?
Nesta altura da vida já não sei mais quem sou...
Vejam só que dilema!!!
Na ficha da loja sou CLIENTE, no restaurante FREGUÊS, quando alugo uma casa INQUILINO, na condução PASSAGEIRO, nos correios REMETENTE, no supermercado CONSUMIDOR.
Para a Receita Federal CONTRIBUINTE, se vendo algo importado CONTRABANDISTA. Se revendo algo, sou MUAMBEIRO, se o carnê tá com o prazo vencido INADIMPLENTE, se não pago imposto SONEGADOR. Para votar ELEITOR, mas em comícios MASSA , em viagens TURISTA , na rua caminhando PEDESTRE, se sou atropelado ACIDENTADO, no hospital PACIENTE. Nos jornais viro VÍTIMA, se compro um livro LEITOR, se ouço rádio OUVINTE. Para o Ibope ESPECTADOR, para apresentador de televisão TELESPECTADOR, no campo de futebol TORCEDOR.
Se sou corintiano, SOFREDOR. Agora, já virei GALERA. (se trabalho na ANATEL, sou COLABORADOR) e, quando morrer... uns dirão... FINADO, outros... DEFUNTO, para outros... EXTINTO , para o povão... PRESUNTO... Em certos círculos espiritualistas serei... DESENCARNADO, evangélicos dirão que fui... ARREBATADO...
E o pior de tudo é que para todo governante sou apenas um IMBECIL !!! E pensar que um dia já fui mais EU.
(Luiz Fernando Veríssimo)
Chegada da coluna Capitolina - 1931
Este vídeo mostra o dia da inauguração da "COLUNA CAPITOLINA" (1931) chegando ao porto de Natal
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
CIRCUITO HISTÓRICO DA NATAL
OS ALUNOS DAS ESCOLAS ESTADUAIS PEREGRINO JÚNIOR E WALTER DUARTE PEREIRA
NA VISITA AO CIRCUITO HISTÓRICO DE NATAL
terça-feira, 3 de julho de 2012
quarta-feira, 13 de junho de 2012
ATIVIDADE : MEMÓRIA E PATRIMÔNIO
TEMA: MEMÓRIA E PATRIMÔNIO
* COM BASE NOS CONCEITOS DISCUTIDOS NOS ENCONTROS, ELABORE UM TEXTO NARRATIVO DO QUE VOCÊ CONSIDERA SEU(S) PATRIMÔNIO(S). ABAIXO PALAVRAS QUE DEVEM CONSTAR E SUAS APLICAÇÕES DENTRO DE SEU DISCURSO.
# Memória=== reminiscências - patrimônio - Imaterial - lembrança - coletiva -individual - identidade - monumento - documento.
terça-feira, 22 de maio de 2012
**Oligarquias e redemocratização no Rio Grande do Norte: o sistema muda, patrões se adaptam e os coronéis permanecem no século XXI (1985-2006).**
Camila Kaciane Freire do Nascimento – Graduanda em História Licenciatura Plena da UFRN
Raimundo Hélio da Silva – Graduando em História Licenciatura plena da UFRN
A década de 1980 é um momento de redemocratização política, o fim da Ditadura Militar, o falecimento de Tancredo Neves em 1985 e a criação da nova Constituição Brasileira em 1988 ensejam mudanças radicais nos rumos políticos do país.
O nosso propósito é analisar a experiência recente de redemocratização no estado do Rio Grande do Norte, verificando como se apresentou o cenário político local a partir da abertura de 1985.
O jogo político-partidário no Rio Grande do Norte se dá em torno de duas forças políticas que se uniram na Aliança Democrática para eleger Tancredo Neves à presidência da República: o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e o Partido Frente Liberal (PFL).
A Aliança Democrática foi um pacto entre os políticos da agremiação Frente Liberal e do PMDB para tentar vencer a eleição presidencial brasileira de 1985. Bem sucedidos, Tancredo Neves é eleito, de forma indireta, presidente do Brasil. Porém, morre antes de assumir o cargo. Assume o vice-presidente José Sarney, que cumpre todos os pontos da proposta “Compromisso com a Nação”, texto constitutivo da Aliança Democrática, que permitiu a passagem pacífica do poder militar para o civil, concretizando a transição democrática no país.
O quadro político apresentado nesse momento deriva de um período anterior. O PMDB era liderado por Aluízio Alves, um dos líderes mais carismáticos que arrastou multidões de adeptos com a utilização de linguagem populista em arregimentação massas que o seguia magnetizados por símbolos que falavam uma linguagem que identificava o que o seguia tais como jingles (uma mensagem publicitária musicada e elaborada com um refrão simples e de curta duração, a fim de ser lembrado com facilidade), cores como o verde que representava uma nova esperança que surgia nesse cenário a campanha mais acirrada sem dívida foi a 1982 Aluízio versos Agripino, o “velho” versos o “novo”, “o Cigano Feiticeiro” versos as mudanças pra “JA”, a “a arara” (alusão à cor vermelha) versos “o bacurau1” sempre respaldado em um sistema de comunicação propagandista (jornal e rádio) que ajudava a disseminar o marketing político e a marcante “lambadinha do Aluízio Alves2” que nascia agora caminhando com os próprios pés e sem à sombra de Mariz para cobri-lo esse era o novo quadro da história da política potiguar na década de 1980. A vitória de Agripino selou o fim da rivalidade Alves-Mariz, substituída agora por Alves-Maia (TRINDADE, 2010: 261).
Os dois clãs, apesar de rivais políticos no estado, se unem em 1984, no apoio a candidatura de Tancredo Neves à Presidência da Republica na redemocratização, uma vez que ambas as partes visavam benefício em comum, trégua que ficou conhecida como a “Paz Pública” que duraria até o início da primeira década do século XXI.
Apadrinhado (Aluízio Alves) do mais importante político estadual da época, Dinarte Mariz - líder da União Democrática Nacional (UDN) no estado elegeu-se deputado federal em 1945, reelegendo-se seguidamente em 1950, 1954 e 1958. Rompeu politicamente com seu mentor, Dinarte Mariz, o então governador do estado e ingressou no PSD, sendo eleito governador em 1960, derrotando o candidato da situação, o deputado federal Djalma Marinho. Ingressou no PMDB em 1981.
O outro clã era liderado por Tarcísio Maia. Elegeu-se deputado federal pela UDN e governador do estado pela ARENA em 1975, com o apoio de Dinarte Mariz. Empreendeu a renovação da elite política estadual, condição exigida para dar sustentação, nos Estados, ao processo de liberalização iniciado no governo de Geisel (SPINELLI, 2010). Foi sucedido por seu primo e compadre, Lavoisier Maia, em 1979. Dava início à montagem de uma máquina política poderosa, que ocuparia o poder estadual por longos anos (SPINELLI, 2010). Em 1983, quem ocuparia o cargo, desta vez pelo voto direto, seria seu filho José Agripino Maia. Assim como seus adversários históricos, os aluizistas trazia a marca do velho na origem, a utilização do nepotismo como forma de se reproduzir (ANDRADE apud SPINELLI, 2010).
Ao lado desses grupos dominantes, adicionam-se os Rosados, com importante inserção no oeste do estado. Em 1950, elegeram o governador Dix-Sept Rosado Maia. Domina um reduto eleitoral que lhes permite expressiva representação na Assembleia Estadual e na Câmara Federal, por isso, seu apoio é disputado pelos dois clãs dominantes, contudo, conservam-se imparciais, sem posicionamento, divididos.
Esse é o quadro inicial que vai conformar os traços mais gerais desse sistema político que se configura com a redemocratização em 1985 (SPINELLI, 2010). O período serve para consolidar de vez as forças político-partidárias das duas oligarquias vigentes no estado, os Alves e os Maias. Entre 1982 e 2004, os dois clãs se enfrentam em todos os pleitos estaduais e municipais, para todos os cargos em disputa.
O PMDB, do ex-governador Aluízio Alves, do seu filho, o deputado federal Henrique Alves e do seu sobrinho, Garibaldi Alves Filho e o PFL, do ex-governador Tarcísio Maia, do seu primo, o médico Lavoisier Maia e do seu filho, o engenheiro José Agripino Maia, principal liderança do partido, “a rigor, não tem identidade ideológica muito explícita, nem se diferenciam notavelmente nesse plano ou no programático, ou dos segmentos sociais nos quais encontram sua representação mais legítima. Embora, em geral, o PFL seja considerado mais tradicional e com um perfil mais à direita, ambos podem ser situados num espectro de centro-direita” (LACERDA; OLIVEIRA apud SPINELLI, 2010).
O PMDB institui um arco de coligações que se denomina Unidade Popular (UP), enquanto o PFL dá a sua coligação a designação de Vontade do Povo (VP). A estas coligações se acrescentam a Frente Popular, conglomerado de pequenos partidos de esquerda liderados pelo PT (Partido dos trabalhadores) e, mais tarde, a Vitória do Povo, coligação instituída pela candidata vitoriosa ao governo do Estado em 2002, Vilma de Faria (ex-Maia) (SPINELLI, 2010).
Paralelamente as hegemonias dessas forças políticas coexistem partidos menores, periféricos, cujos líderes oscilam constantemente a favor de interesses particulares na disputa eleitoral. Isto é, a presença dessas grandes forças na política local, “limitam severamente a competição eleitoral, controlando em larga medida a entrada de novos atores, utilizando-se largamente dos recursos de patronagem, do clientelismo político e do assistencialismo social para cooptar e controlar lideranças políticas emergentes e setores sociais populares” (SPINELLI, 2010).
Conclui-se que a política do Rio Grande do Norte no início da redemocratização ainda mantinha características do século XIX, os clãs com seus “coronéis” eram quem mandavam e formatavam a estrutura político-partidária embasada no nepotismo oligárquico, na troca de favores, na propaganda difundida através de meios de comunicação (jornal e rádio), na legitimação do passado para justificar o presente e no assistencialismo antes a “seca”, agora, “moradia” e representantes nas localidades que serviam de ponte entre o governo e as massas populares os tempos são outros, no entanto, atualmente, os “coronéis” são diplomados seus títulos são agraciados por academia legitimando o “sacrifício” deles que procuraram se especializar em prol do povo couraça que encobre sua origem na mesma “Horda” de espetros fantasmagóricos camuflados em jovens prometidos ou “Legião de Anjos Salvadores”.
REFERÊNCIA
SPINELLI, José Antônio. Oligarquias e legitimidade democrática: a experiência potiguar de redemocratização (1985-2006). Coronéis e Oligarquias no Rio Grande do Norte: Primeira República e outros estudos. Natal: EDUFRN, 2010.
TRINDADE, Sérgio Luiz Bezerra. Sinuosidade políticas. In:______. História do Rio Grande do Norte. Natal: Editora do IFRN, 2010. : 258.
Disponível em:
http://www.senado.gov.br/senadores/senador/marcomaciel/compromisso.asp
http://www.dhnet.org.br/denunciar/escandalos/rabodepalha/index.htm
FERNANDES, Carlos. Aluízio Alves (1921-2006). Disponível em: . Acesso em: 01 maio 2012.
Jingle de Aluízio Alves. Disponível em:
http://www.youtube.com/watch?v=YBFYrOYKYXI. Acesso em: 03 de maio de 2012
http://sobrega.spaceblog.com.br/609745/Os-Populares-de-Igarape-Miri-Lambada-do-Tiburcio/. Acesso em: 02 de maio de maio de 2012.
Disponível em:
http://www.dhnet.org.br/denunciar/escandalos/rabodepalha/index.htm
Acesso em: 03 de maio de 2012.
Disponível em:
http://www.wikiaves.com.br/bacurau. Acesso em: 02 de maio de 2012.
sexta-feira, 2 de março de 2012
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Nossos cromossomos de memórias: fragmentos de história
Graduando de História - UFRN
O ato de lembrar é uma herança que passa de geração a geração isso faz parte de nossas memórias individuais refletidas na memória coletiva assim sendo fragmantos de memórias adormecidas que fazem parte de um todo segundo (Le Gofff apud Jacob', 1970)Fala-se da memória central dos computadores e o código genético é apresentado como uma memória da hereditariedade.
Os filhos são nossos resquícios de como somos, ou melhor, cromossomos de memórias, as ciências biológicas define como hereditariedade genética. Mas, essa concepção vai além da replicação de genes uma replicação de memórias, portanto, replicações de lembranças adormecidas, de desejos e feitos não realizados e frustrados.
Quem nunca desejou que seu filho fosse um excelente jogador de futebol, basquete, um velocista de jogos escolares ou o melhor da rua nas partidas de fim de semana.
Quem nunca almejou que sua filha fosse à bailarina número 1 (um) do célebre musical Lago do Cisne.
Os filhos são, portanto reminiscências do nosso DNA eternamente arrependido do não realizado são personificações de nossa continuidade. Assim, personificação de memórias.
O homem nasce como uma página em branco que vai sendo preenchida ao longo de sua existência independentemente de sua vontade.
No Congo, nota Balandier, depois do clã ter imposto ao recém- nascido um primeiro nome dito "de nascença", dá-lhe um segundo, mas oficial, que suplanta o primeiro. Este segundo nome "perpetua a memória de um antepassado ancestral – cujo nome é assim "desenterrado" – escolhido em função da veneração de que é objeto" [1965, p. 227].
Seu nome, não é seu, é herdado para continuar a existência a alguém que agora é só memória, representada em fotos e numa lápide.
Essa memória não é mais involuntária tampouco individual é memória viva, ela respira se movimenta, enxerga, ouve, fotografa e o mais importante ela escreve e documenta.
Nesse ciclo vital, ou melhor, retrospecto vital a sequência é quebrada: nasce, cresce, se reproduz, envelhece, mas não morre estagna, com o tempo, essa estagnação cristalizada é dissolvida no DNA dos nossos filhos e nos filhos de seus filhos.
Referências Bibliográficas.
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz. A arte de inventar o passado- Ensaios de teoria da História. Bauru: Edusc. 2007
LE GOFF, Jacques. Historia e Memória. 5ª ed. São Paulo: Unicamp. 2003.
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